Quatro ex-alunos da Casa da Ciência do Hemocentro de Ribeirão Preto participaram como revisores de um estudo publicado pelo pesquisador Andrew Parker, do Departamento de Fisiologia, Anatomia e Genética da Universidade de Oxford (Reino Unido).
O artigo foi publicado no dia 17 de agosto na plataforma online Frontiers for Young Minds, com o título “Fakes and Forgeries in the Brain Scanner”. A publicação está disponível no link: https://goo.gl/TPx8TY.
Os autores da revisão são os estudantes Douglas Barboza, Luan Bertoloti, Maria Eduarda Jurado e Olavo Caetano Inácio, todos da cidade de Luís Antônio-SP localizada a 50 km de Ribeirão Preto.

Prof. Dr. Guilherme Lucas
Os alunos começaram em 2017 a participar do projeto de Iniciação Científica da Casa da Ciência com o tema “Explorando o sistema nervoso”, orientados pelo Prof. Dr. Guilherme Lucas, do Departamento de Fisiologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.
A ideia de contribuir com a revisão do artigo surgiu do próprio professor, editor-associado da revista digital na área de Neurociência, já que o grupo estava estudando o cérebro e tinha adquirido um bom conhecimento inicial.
“No nosso primeiro encontro, eu explico como funciona a revisão do texto, ressaltando a importância da participação deles no sentido de adequar a linguagem para crianças e adolescentes. Em seguida, eles recebem o artigo junto com algumas perguntas para serem respondidas a respeito dele. São os alunos que vão dizer o que está claro e o que precisa ser modificado no manuscrito para que ele se torne compreendido pelo público jovem”, explica o docente.
Os alunos têm uma semana para ler o artigo e tentar responder algumas perguntas como: o vocabulário e as sentenças são adequados para a sua idade? Os autores fornecem informações suficientes para entender o trabalho deles? As figuras ajudam a entender o texto? Que sugestões você faria para tornar o texto mais fácil de entender ou mais interessante? Assim, os alunos também aprendem como funciona o processo de revisão de artigos científicos e entendem a importância da parceria entre o autor e os revisores.
Para o Prof. Guilherme Lucas, a iniciativa se tornou possível graças ao trabalho anterior realizado pela equipe da Casa da Ciência.
“Os alunos que revisaram o artigo já haviam passado pela Casa da Ciência e participaram de um projeto de Iniciação Científica Júnior no meu laboratório. Desde o início, era evidente a familiaridade desses alunos com o método científico e com conceitos fundamentais como o teste de hipótese, escolha de amostras, grupo controle, distribuição aleatória, estudo duplo-cego, diferença estatística e etc. Com essas ferramentas essenciais, eles eram capazes de avaliar, criticar ou sugerir novas maneiras para se investigar o tema proposto. Foi um prazer muito grande trabalhar com eles”, afirma o neurocientista.
O professor ressalta que o trabalho proposto pela Casa da Ciência vai além da educação científica. “Talvez possamos chamar de alfabetização científica. Ali se formam crianças e adolescentes capazes de analisar evidências pelo método científico”, afirma Lucas.
Para a estudante Maria Eduarda Jurado participar da iniciativa foi uma experiência muito interessante, desafiadora e que promoveu o estudo mais aprofundado do cérebro durante a Iniciação Científica.

Maria Eduarda Jurado
“Tivemos um pouco de medo pois teríamos que revisar um artigo em outra língua escrito por um PhD em ciências naturais e torná-lo acessível para que qualquer pessoa pudesse entender com facilidade”, explica a jovem.
Segundo a estudante, a participação de cada integrante do grupo foi fundamental para a construção do conhecimento. “Procuramos ajudar caso alguém não entendesse alguma coisa, ou tivesse alguma dificuldade em traduzir as palavras. Essa característica de trabalhar em equipe nós adotamos desde os primeiros projetos da Casa da Ciência”, destaca Jurado.
Maria Eduarda, assim como os outros integrantes do grupo de Iniciação Científica, já participava há alguns anos dos projetos que a Casa da Ciência desenvolve. A ex-aluna destacou a importância das atividades na sua formação.
“Desde quando entrei na Casa da Ciência mudei minha perspectiva com o mundo, passei a olhar tudo de outro modo, procurar os ‘porquês’ e não aceitar somente as primeiras respostas que encontrava. Isso me ajudou muito a melhorar meu senso crítico tanto para as coisas do dia a dia quanto na escola”, diz a estudante.
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