O pesquisador Lucas Arruda recebeu o “Prêmio Thereza Kipnis 2016” pelo trabalho sobre esclerose sistêmica desenvolvido no Centro de Terapia Celular (CTC) da USP. O certificado foi entregue no XLI Congresso da Sociedade Brasileira de Imunologia, realizado em Campos do Jordão do dia 29/10 a 02/11. O primeiro lugar foi dividido com a pesquisadora Denise Morais da Fonseca, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP.

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O artigo “Linfócitos B e T reguladores recém-gerados após transplante autólogo de células-tronco hematopoéticas associam-se a melhora da fibrose cutânea em pacientes com esclerose sistêmica”, também venceu este ano o concurso de temas livres do XXIII Congresso Brasileiro de Reumatologia.

O estudo foi conduzido com a colaboração de pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, do Hemocentro de Ribeirão Preto e da Universidade Paris Diderot, Sorbonne Paris Cité, da França.

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A esclerose sistêmica é uma doença autoimune reumática crônica do tecido conjuntivo, caracterizada por lesões microvasculares associadas a diferentes graus de fibrose da pele e dos órgãos internos. As causas permanecem ainda desconhecidas, por isso, os tratamentos disponíveis possuem uma eficácia limitada no controle da progressão da doença e os pacientes sofrem com problemas de falta de ar, dores pelo corpo, manchas e dificuldade de locomoção, levando muitos doentes a deixarem seus trabalhos e o convívio familiar.

Lucas Arruda

Lucas Arruda

Segundo o pesquisador Lucas Coelho Marlière Arruda, um dos autores do projeto, as opções de tratamento convencionais não funcionam muito bem, assim, o transplante autólogo de células-tronco hematopoéticas tem surgido como uma alternativa terapêutica promissora, impedindo a progressão da doença e devolvendo qualidade de vida.

“A terapia envolve o uso de altas doses de quimioterapia, com o objetivo de destruir por completo o sistema imunológico doente, seguido pela administração das células-tronco do próprio pacientes para ‘resetar’ o sistema imune e impedir a progressão da doença. Funciona como o ‘reset’ de um computador defeituoso, para que ele volte a funcionar bem novamente”, explica Arruda.

O objetivo do grupo foi avaliar como a reconstituição do novo sistema imunológico, após o “reset”, está relacionada com a melhora clínica dos pacientes. Para isso, 31 doentes foram acompanhados por três anos para a descrição completa das mudanças ocorridas.

Os resultados apontaram que o timo e a medula óssea, órgãos responsáveis pela manutenção das células do sangue e do sistema imune, produzem muitas células reguladoras, após a terapia com as células-tronco. Também foi notado a melhora da fibrose da pele e dos órgãos internos, levando ao controle da doença por gerar um sistema imune mais saudável.

A pesquisa ajuda a esclarecer os mecanismos imunológicos de ação e os benefícios do transplante autólogo de células-tronco hematopoéticas no tratamento da esclerose sistêmica, o que é necessário para melhoria do protocolo clínico e a consolidação desta terapia como tratamento da doença.

Confira abaixo a entrevista para a TV Hemocentro.