Um grupo de pesquisadores do Centro de Terapia Celular (CTC) da USP publicou um artigo que avalia os mecanismos imunológicos relacionados à resposta terapêutica do transplante autólogo de células-tronco hematopoéticas em pacientes com esclerose sistêmica.

O estudo “Immune rebound associates with a favorable clinical response to autologous HSCT in systemic sclerosis patients” foi divulgado no dia 17 de janeiro pelo periódico científico Blood Advances, da American Society of Hematology, a maior revista de hematologia do mundo.

O trabalho, apoiado pela FAPESP, foi conduzido com a colaboração de pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, do Hemocentro de Ribeirão Preto e da Universidade Paris Diderot, Sorbonne Paris Cité, da França.

Os cientistas buscaram entender por que cerca de 20 a 25% dos pacientes transplantados não respondem bem ao procedimento e não apresentam melhora no estado clínico.

Pesquisador Lucas Arruda

Pesquisador Lucas Arruda

A esclerose sistêmica é uma doença autoimune reumática crônica do tecido conjuntivo, caracterizada por lesões microvasculares associadas a diferentes graus de fibrose da pele e dos órgãos internos. As causas permanecem ainda desconhecidas, por isso, os tratamentos disponíveis possuem uma eficácia limitada no controle da progressão da doença e os pacientes sofrem com problemas de falta de ar, dores pelo corpo, manchas e dificuldade de locomoção, levando muitos doentes a deixarem seus trabalhos e o convívio familiar.

Na pesquisa foram avaliadas a função do timo e da medula óssea na produção de novas células em 31 pacientes transplantados, no período de três anos, e comparadas em paralelo com os dados de 16 pacientes, também com esclerose sistêmica, tratados com a terapia convencional (imunossupressão).

“Nós testamos a hipótese de que o transplante seria capaz de reativar a produção de novas células por esses dois órgãos, levando à substituição das células doentes, que atacam tecidos do corpo, por células saudáveis”, explica o pesquisador Lucas Coelho Marlière Arruda, um dos autores do projeto.

A equipe observou que somente os pacientes transplantados apresentaram aumento na função do timo e da medula óssea, levando à produção de maiores níveis de células T reguladoras e B reguladoras respectivamente. Enquanto nenhuma alteração foi notada nos pacientes tratados pela terapia convencional.

O transplante envolve o uso de altas doses de quimioterapia, com o objetivo de destruir por completo o sistema imunológico doente, seguido pela administração das células-tronco do próprio pacientes para “reiniciar” o sistema imune e impedir a progressão da doença.

Segundo Arruda, nos pacientes não respondedores, a quimioterapia empregada no transplante não foi capaz de destruir o sistema autoimune, com isso, as células doentes se mantiveram mesmo depois do procedimento, aliadas a uma diminuição dos níveis de células reguladoras.

A pesquisa conclui que somente o transplante autólogo de células-tronco hematopoéticas induz a produção de novas células pelo timo e medula óssea, levando à remissão clínica da doença. A alternativa proporciona uma protocolo clínico mais eficaz e a consolidação desta terapia como tratamento.

O artigo completo está disponível no link: http://www.bloodadvances.org/content/2/2/126

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